Entrada e saída de caixa: você está fazendo isto certo?

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Se uma empresa apresenta ganhos de R$1 bilhão, isso significa que todo esse dinheiro está no banco? Não necessariamente. Lançamentos financeiros também levam em conta itens que não correspondem a um dinheiro que vai imediatamente para a conta. Esse tipo de contabilidade existe para melhor refletir a saúde financeira de uma empresa. Porém, essa contabilidade acumulativa pode criar um “barulho” contábil, o qual precisa de uma sintonia fina para deixar claro quanto dinheiro de verdade uma empresa está gerando. Os lançamentos de fluxo de caixa suprem essa informação, portanto vejamos o que é fluxo de caixa e como devemos interpretar os seus lançamentos.

O mundo dos negócios gira principalmente em torno do comércio, uma troca de valor entre dois ou mais agentes, e o dinheiro é o artigo necessário para a participação no sistema econômico. Por essa razão, ainda que algumas indústrias movimentem mais dinheiro do que as outras, nenhum negócio pode sobreviver a longo prazo sem gerar um fluxo de caixa positivo por ação para cada um de seus acionistas. para ter um fluxo de caixa positivo, as entradas de dinheiro a longo termo de uma empresa precisam exceder as suas saídas de dinheiro a longo termo.

Uma saída de caixa ocorre quando a empresa transfere fundos para um outro agente (seja física ou eletronicamente). Tal transferência pode ser feita com o fim de pagar empregados, fornecedores e credores, ou adquirir ativos e investimentos de longo termo, ou mesmo pagar por despesas legais ou acordos relativos a processos judiciais. É importante notar que transferências legais de valores através de débito – uma aquisição feita a crédito – não são registradas como uma saída de caixa até que o dinheiro deixe efetivamente as mãos da empresa.

Uma entrada de caixa evidentemente corresponde a algo exatamente oposto ao parágrafo anterior; isto é, qualquer transferência de dinheiro que vem para as mãos da empresa. Tipicamente, a maioria das entradas de dinheiro de uma empresa provem de clientes, fornecedores de crédito (como bancos ou acionistas) e investidores que adquirem uma participação societária na empresa. Ocasionalmente entradas de caixa incluem acordos legais ou a venda de imóveis ou equipamentos pertencentes à empresa.

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É importante notar a distinção entre ser lucrativo e ter transações positivas de fluxo de caixa: só porque uma empresa está tendo entradas de caixa não significa que ela esteja obtendo lucro (e vice versa).

Por exemplo, digamos que uma empresa manufatureira esteja passando por uma baixa demanda de seus produtos, e portanto decida vender metade dos equipamentos da sua fábrica a preços de liquidação. Ela receberá dinheiro pelo equipamento usado, mas a empresa manufatureira está definitivamente perdendo dinheiro nessa venda: ela teria preferido muito mais utilizar esse equipamento para manufaturar produtos e obter um lucro operacional. Mas como isso não é possível, a próxima melhor opção é vender o equipamento a preços bem mais baixos do que a empresa pagou por eles. No ano em que vendeu o equipamento, a empresa terminaria com um forte fluxo de caixa positivo, mas os seus ganhos potenciais atuais e futuros seriam um tanto fracos. Devido ao fato de que o fluxo de caixa pode ser positivo enquanto a lucratividade é negativa, investidores devem analisar lançamentos de renda bem como lançamentos de caixa, e não apenas um ou o outro.

Marco Fernandes

ProLucro Consultoria Empresarial

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